quinta-feira, 26 de maio de 2011

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... Não cante

O humano coração com mais verdade 

Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.



Amo-te afim, de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.



Amo-te como um bicho, simplesmente

De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.



E de te amar assim, muito e amiúde

É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Fernando Pessoa

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